Sempre é com grande alegria que escrevo algumas palavras a você, querido(a) diocesano(a) ou leitor(a). Mais uma vez, a terceira, falamos do mesmo assunto, ou seja, daqueles elementos que identificam e mostram a espiritualidade autenticamente cristã. Já falamos da vida, oração, liturgia e sacramentos, Palavra de Deus e direção espiritual. Queremos, nesta ocasião, destacar mais dois aspectos:
6. Mundo. Uma espiritualidade não pode ser desencarnada. Está sempre aberta ao mundo. As situações vivenciais, a revolução tecnológica, os desafios de hoje, a correria do dia a dia e as rápidas transformações do nosso tempo são fonte e elementos da espiritualidade. É necessário hoje, mais que em outras épocas, olhar o mundo com os olhos de Deus, enxergar o que existe por trás de tudo o que nos é apresentado. Não é mais possível viver espiritualmente fugindo do mundo. O mundo é o local do encontro com Deus e nele somos chamados a viver em Deus. “Ser sal da terra e luz no mundo” é o convite de Jesus. Sendo assim, não podemos viver em Deus sem o mundo. É nele que vivemos e nele somos sinais de Deus. E mais ainda, nas realidades do mundo é preciso encontrar Deus e a sua bondade revelada. A espiritualidade cristã não pode nos afastar da realidade do mundo de hoje, não para nos confundir com o mundo e as realidades contemporâneas, mas para expressar a maravilha da salvação no seu meio.
7. Pessoas. As pessoas são o “lugar da presença de Jesus”, assim como a Palavra e a Eucaristia. Viver com elas, contemplar as suas vidas, dar atenção aos seus desejos, acompanhar as suas lutas, enxugar as suas lágrimas, conviver como irmãos... nos coloca sempre mais profundamente em comunhão com Deus que sempre é próximo de todos e de cada um. As pessoas nos desafiam a ser mais de Deus para poder manifestá-lo sem reservas e para todos. A respeito das pessoas, como elemento da espiritualidade cristã, podemos dar atenção às palavras que são João Paulo II disse de si mesmo: “Pessoalmente nunca me senti sozinho. Além da consciência da proximidade com o Senhor, sempre tive em torno de mim, de maneira humana, numerosas pessoas, sempre cultivei contatos cordiais com os sacerdotes e com leigos de todo tipo.” (Levantai-vos! Vamos! Planeta, p. 143). A consciência da necessidade e do valor do “irmão” na caminhada espiritual é sempre mais evidente. A vida de comunhão com Deus nos aproxima dos irmãos e a comunhão com os irmãos nos convida a sermos mais de Deus.
Com muita simplicidade, e também convencidos de que viver em profunda comunhão com Deus é o único caminho de realização plena, apresentamos nas últimas edições alguns elementos concretos para questionarmos nossa espiritualidade cristã.
Os cristãos todos precisam se destacar por uma profunda intimidade com Deus que os leva ao serviço concreto aos irmãos no meio do mundo. Neste processo de salvação e de evangelização, que cada um é chamado a experimentar, é muito importante alimentar-se na mesa de Palavra e dos Sacramento e também estar sempre muito dispostos a pedir ajuda para o bom discernimento da vontade do Senhor.
Na Igreja ninguém caminha sozinho ou desamparado. O Senhor é nossa rocha e fortaleza e os irmãos na fé são aqueles que, nas realidades em que estamos inseridos, nos animam, nos desafiam e nos ajudam.
Confiados à proteção de Nossa Senhora e de São José, nosso padroeiro, continuemos servindo com muita generosidade!
