27 de Março de 2026

"CARACTERÍSTICAS DA ESPIRITUALIDADE"

    Querido(a) Leitor(a)! Mais uma vez temos a oportunidade de refletir sobre a nossa experiência cristã e sobre nossa caminhada em Deus. Continuamos refletindo sobre o tema “Espiritualidade”.

    Neste mês gostaria de transcrever algumas ideias de Neylor J. Tonin. Ele fala, em seus escritos, das três características da espiritualidade. São elas: entrega, intensidade e retidão. Acredito que vale a pena refletir sobre o assunto.

    Entrega. “Quanto mais uma pessoa se entrega, de corpo e alma, a alguma coisa, ação ou pessoa, mais espiritual ela o é.” (Tonin. Vida Mais Vida, p. 52). Não existe espiritualidade sem doação, entrega. É preciso doar a vida por um ideal profundo, por uma realidade significativa. No caso, quanto mais sou capaz de viver em Deus, colocando minha vida em suas mãos, tanto mais é rica a espiritualidade. Mas é preciso estar ciente do quanto isso pode ser difícil. Na verdade, não é outra coisa do que “tomar a vida nas mãos e colocá-la inteira no coração de Deus!” Ofereço a Deus o meu serviço na comunidade?

    Intensidade. “Que não haja dúvidas: a característica principal da espiritualidade é a intensidade com que se faz o bem, pouco importando que bem, materialmente, se faça... É muito espiritual, por conseguinte, quem é muito intenso, e pouco espiritual quem é melancolicamente superficial. Alguém é muito espiritual quando trabalha, faz esporte, convive em família ou vai a uma igreja. Pode também ser minimamente espiritual quando reza, come ou faz amor.” (Idem, pp. 52-53). Enfim, é a intensidade com que é realizada uma ação que caracteriza a espiritualidade de uma pessoa. Qual é o grau de minha entrega no serviço na comunidade?

    Retidão.  Não basta intensidade de entrega. “Faz-se necessário também retidão justa de intenção, que ocorre quando o espírito comanda e coordena o processo de busca do bem desejado. Não se pode, por isso, dizer que um animal, na caça de sua presa, ou um malvivente, em suas ações criminosas, sejam espirituais. Para o animal, faltar-lhe-ia o espírito; para o bandido, correção de intenção e integração de suas forças. O primeiro é só animal em estado de pouco instinto, enquanto o segundo é pouco espírito e muito animal em estado desintegrado e desumano.” (p. 53). Falta-lhe retidão de atitude; falta-lhe a visão do bem. Sem isso não se pode falar de espiritualidade. Por que é que me coloco a serviço na comunidade?

    “Todos, em qualquer idade e situação, em trabalhos manuais ou intelectuais, podem ser altamente espirituais, bastando para tanto aplicarem-se de corpo e alma e direcionar suas intenções para além de si mesmos, em prol de um bem comum e maior... (Idem p. 53).

    Qualquer coisa que desempenhamos, o nosso jeito de fazer as coisas e o nosso modo de viver manifesta nossa espiritualidade. Depende da sua entrega, da sua intensidade e da sua retidão. Nos deixemos mover por Deus e nos tornemos, a cada dia mais, pessoas de Deus, pessoas espirituais.

    Sejamos cristãos apaixonados pela causa do Reino e capazes de uma generosidade e gratuidade sem limites.

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