10 de Fevereiro de 2025

"A PEREGRINAÇÃO NA SUA ORIGEM E COMPREENSÃO"

A palavra peregrinação, como tantas outras, deriva do latim per agros, que significa, pelos campos. Consiste numa viagem, jornada ou caminhada, motivada pela devoção de um ou mais caminhantes a um lugar sagrado.

O termo “peregrino” aparece em nossa língua na primeira metade do século XIII, para denominar os cristãos que viajavam a Roma ou à Terra Santa, territórios de Israel e Palestina. A viagem tinha por objetivo visitar os lugares sagrados, às vezes como castigo autoimposto na intenção de pagar determinados pecados e outras vezes para cumprir penas canônicas.

O ato de peregrinar e as peregrinações ocorrem desde os tempos mais remotos, nos tempos ainda chamados primitivos, onde havia predomínio de costumes e ritos pagãos. Existem escritos de locais de peregrinação que antecedem a própria religião cristã, como é o caso da Catedral de São Tiago de Compostela que pode ter sido construída onde passaria antes uma rota mais antiga, “a peregrinação a Finisterra (fim-da-terra), à costa Ocidental para ver o deus sol à ‘morrer’ no mar e que no dia seguinte ressuscitava no Oriente”.

A devoção religiosa do peregrino parece continuar a ser o que permite distinguir a peregrinação de outro tipo de viagem, como, na atualidade, o assim chamado “turismo religioso”. O Papa Francisco, em uma entrevista acerca do Jubileu da Esperança que se estenderá durante o ano de 2025, declarou: “às vezes, tenho medo de que o Jubileu se assemelhe a um turismo religioso. Um Jubileu que se reduza ao turismo não serve. Esse é o perigo e me dá muito medo”. Portanto, peregrinar requer de quem o faz, caminhar motivado “por” ou “para” algo e não apenas o ato de caminhar a pé ou percorrer um trajeto com determinada quilometragem. A peregrinação tem, assim, um sentido e um valor acrescentado que é necessário descobrir pessoalmente por cada pessoa que a executa.

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