23 de Julho de 2026

"ELEMENTOS DA ESPIRITUALIDADE CRISTÃ II"

Amados Diocesanos e Leitores do Jornal Servindo! Mais uma vez podemos partilhar algo sobre o nosso jeito de ser cristão e de viver a nossa fé. Na última edição tratamos da vida, oração, liturgia e sacramentos. Continuamos agora tratando daquilo que torna possível e manifesta a espiritualidade cristã:

4. APalavra de Deus: É a fonte primária e o elemento fundante da espiritualidade cristã. Sendo assim, é necessário renovar a espiritualidade “pelo contato com a Palavra de Deus encarnada no momento atual da Igreja e do mundo” (Fiores. A nova espiritualidade, p. 15). Para chegar à santidade, ao Amor, Jesus é o caminho. “Mas o conhecimento deste itinerário se dá principalmente mediante a Palavra de Deus, que a Igreja proclama com a sua pregação. Por isso, a Igreja na América deve dar clara prioridade à reflexão piedosa da Sagrada Escritura, por parte de todos os fiéis.” (São João Paulo II. Ecclesia in America, n. 31). Como conhecer o caminho sem valorizar a Palavra? Diante deste questionamento, convém destacar outro pensamento de São João Paulo II: “É necessário que a escuta da Palavra se torne um encontro vital, segundo a antiga e sempre válida tradição da lectio divina: esta permite ler o texto bíblico como palavra viva que interpela, oriente, plasma a existência.” (Novo Millenio Ineunte, 39). “Alimentar-nos da Palavra para sermos ‘servos da Palavra’ no trabalho da evangelização: tal é, sem dúvida, uma prioridade da Igreja no início do novo milênio.” (NMI, 40). A Palavra é elemento fundamental da espiritualidade também pelo que nos diz a Dei Verbum, n. 21: “A Igreja sempre venerou as divinas Escrituras... sempre considerou as divinas Escrituras e continua a considerá-las, juntamente com a Sagrada Tradição, como regra suprema da sua fé...” Assim, “para alimentar a própria vida espiritual, é uma exigência sentida sempre mais claramente” o “retorno à Escritura”.(cf. Fiores. A nova espiritualidade, p.19).

5. Direção Espiritual. Dizia o Beato João Paulo II: “Para amadurecer espiritualmente, convém que o cristão recorra ao conselho dos ministros sagrados ou de pessoas esclarecidas neste campo, por meio da direção espiritual, prática tradicionalmente presente na Igreja.” (EA, 29). Por um lado, verificamos a necessidade da direção espiritual e, por outro, a quase que total impossibilidade das condições dos sacerdotes e diáconos ouvir todas as pessoas. Estamos carentes de pessoas que ajudem as outras através da escuta. Mas é claro, se não é possível um padre, alguém treinado para ouvir, é preciso que encontremos “amigos espirituais” que nos ajudem. Não é possível crescer sozinhos na caminhada espiritual. Como é preciso que tenhamos alguém com o qual possamos nos abrir e partilhar a vida e nos ajudar nas decisões. Na liberdade, precisamos ter alguém em quem confiamos. Este “alguém” ou o diretor espiritual sempre nos ajudará enormemente na caminhada cristã.

Estas são mais duas daquelas fontes de vida plena para nós, cristãos. Valorizemos a escuta da Palavra de Deus, especialmente pela Lectio Divina. Antes de falar dos textos bíblicos para nossos filhos, amigos ou para aqueles com os quais servimos na comunidade é importante acolher a vontade de Deus para nós. Procuremos também os nossos amigos espirituais! Eles serão nosso amparo e uma oportunidade para crescermos, especialmente quando desafiados por eles.

Continuaremos tratando deste mesmo assunto na próxima edição. Enquanto isso, abramos os nossos corações para que Deus realize a sua graça em nossa vida e vocação. Com Ele seremos melhores do que já somos e poderemos ajudar muitas outras pessoas a encontrar aquela verdade que realiza cada ser humano.

Bom mês de agosto, mês das vocações! Não tenhamos medo de dizer sim ao que Deus nos pede e de viver com radicalidade o nosso compromisso cristão!


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