Querido(a) leitor(a)! Na alegria deste mês mariano, posso saudar e desafiar você a viver um caminho espiritual e missionário com todas as comunidades de nossa diocese. Ao memo tempo, proponho uma reflexão sobre um dos aspectos da vida dos cristãos.
Lemos, nos textos do Concílio Vaticano II e também no Catecismo da Igreja católica, que “todos os fiéis cristãos, de qualquer estado ou ordem, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade.” (CIC, 2013 ; LG, 40).
Esta frase revela o ideal do ser Igreja! Ainda não estamos lá, mas somos chamados à plenitude e à perfeição. Quando olhamos para esse ideal, aparece diante de nós o desejo de crescer, de melhorar e a necessidade de “progresso”. Não é possível parar enquanto não tivermos chegado ao amor e encontrado a grandiosidade da vivência do cristianismo.
“O progresso espiritual tende à união sempre mais íntima com Cristo.” (CIC, 2014). Este ideal ultrapassa o exterior, as coisas que fazemos, as nossas atividades. Não basta comportar-se bem, desempenhar bem uma função para se dizer cristão, para ser pessoa de Deus. O necessário é unir-se intimamente com Cristo. É, aos poucos, ir transformando a própria história de vida no jeito de ser de Jesus. É unir-se intimamente a ele.
Sobre o ideal cristão afirmamos a necessidade de 1) chegar à plenitude, 2) chegar à perfeição da caridade e 3) unir-se intimamente a Cristo. Na verdade, o que se espera de nós pode ser resumido em “ser de Deus!”. Isso é o que almejamos. Aí queremos chegar!
Mas para isso é importante, creio eu, destacar algo tão simples, mas, ao mesmo tempo, algo de fundamental, também para os nossos dias: o Exame de Consciência.
Examinar-se à luz de Deus, analisar a caminhada cristã, rever o dia... Tudo isso é imprescindível para quem quer chegar a Deus, para aqueles que desejam viver espiritualmente bem. Só chega a algum lugar aquele que sabe onde está. Como é que se vai chegar a Curitiba se eu não sei onde me encontro agora? Talvez até eu já esteja lá! O importante é descobrir a realidade em que me situo.
O exame de consciência coloca-me diante de mim mesmo. Ali, intimamente, me descubro como sou, com as minhas realizações, carências, necessidades e pecados. Conhecendo minha situação concreta, posso me encaminhar para “algo mais”. Só pode chegar a Cristo aquele que se reconhece como pessoa pequena, frágil, necessitada de Deus.
Falando destas coisas, lembramo-nos de uma frase de São Paulo VI: “É preciso reacender, no coração de papel, de ferro e de cimento do homem moderno, o palpitar da simpatia humana, do afeto simples, puro e generoso da poesia das coisas nativas e vivas, do amor” (In Stefano de Fiores, A Nova Espiritualidade, p. 13). Ou seja, não existem grandes mistérios na vida espiritual. O que importa é descobrir as coisas simples, dando sentido a elas.
O exame de consciência é tão antigo, tão corriqueiro, tão “banal” - pensam alguns - mas é um aspecto importante na vida de quem quer ser de Deus. Isso porque é preciso partir da humanidade para se chegar à Deus. É lógico, porque não somos nada mais que seres humanos.
Nosso ideal de vida é Cristo. Mas é Cristo também o nosso modelo de vida. Olhando para sua vida, imitando suas atitudes, fazendo aquilo que ele nos diz, chegaremos à santidade, que é a pertença a Deus, aquele que é santo; que é o deixar-se envolver pelo mistério do Cristo.
