Com Maria Madelena, testemunhas da RESSURREIÇÃO

22 de Julho de 2020

Com Maria Madelena, testemunhas da RESSURREIÇÃO

            No dia 22 de julho celebramos a festa litúrgica de Santa Maria Madalena, a grande testemunha da Ressurreição do Senhor. Em 2016, o Papa Francisco elevou a Memória de Santa Maria Madalena à dignidade de Festa, para reforçar a importância desta mulher, chamada por São Tomás de Aquino de “Apóstola dos Apóstolos”.

            Jesus, vindo ao mundo para nossa salvação, anunciou a vida nova, a libertação de todo o mal e mostrou o caminho para o Pai. A partir do relato de Lucas, sabe-se que Maria Madalena acompanhou o Senhor durante este ministério de anúncio: “[...] ele andava por cidades e povoados, pregando e anunciando a Boa Nova do Reino de Deus. Os Doze o acompanhavam, assim como algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e doenças: Maria, chamada Madalena, da qual haviam saído sete demônios [...]” (Cf. Lc 8, 1-2). Dentre todos esses seguidores e seguidoras de Jesus, Maria Madalena foi uma das que mais o amou e demonstrou isso a partir de seus atos. Depois de ter sido libertada pelo Mestre, ela passou a segui-lo com determinação e coragem. Por isso, foi capaz de permanecer aos pés da Cruz, junto a Maria Santíssima e São João (Cf. Jo 19, 25). Não fugiu por medo, como os demais discípulos fizeram. No entanto, é a experiência com o Ressuscitado que realmente transforma a vida de Maria Madalena e a torna um exemplo de verdadeira e autêntica evangelizadora, uma evangelista que anuncia a alegre mensagem central da Páscoa (Cf. Mulieris Dignitatem, n. 16).

            Maria Madalena representa todos nós em seu encontro com o Ressuscitado (Cf. Jo 20, 11-18). Somos convidados a nos colocarmos no lugar dessa discípula, a fim de que vivenciemos também a experiência da Páscoa. Em primeiro lugar, o relato da aparição de Jesus a Madalena nos ensina que o seguimento se consolida a partir de um longo caminho de conhecimento, ou seja, precisamos permitir ao Senhor fazer parte de nossas vidas e seguirmos seus passos em todas as coisas: deixarmo-nos aprender com suas palavras, imitarmos seus exemplos, vermos o mundo a partir de seus olhos de bondade e misericórdia. A partir disso, nada poderá nos separar do amor de Cristo! (Cf. Rm 8, 35-39). A dor do calvário não fez Maria Madalena desistir, pois o amor entre ela e seu Mestre era maior do que a morte e dava sentido à sua vida. Os demais discípulos estavam desanimados, escondidos. Ela não. Algo a movia interiormente a procurar por Jesus, mesmo confusa e sem compreender direito o que estava fazendo: “Se foste tu que o levaste, dize-me onde o puseste e eu o irei buscar!” (Jo 20, 15b).

            Maria Madalena reconhece Jesus ao ser chamada pelo nome e se vira para falar com Ele: “Diz-lhe Jesus: ‘Maria!’ Voltando-se, ela lhe diz em hebraico: ‘Rabbuni!’, que quer dizer: ‘Mestre’” (Jo 20, 16). Este gesto de Madalena, de voltar-se, representa uma mudança de rumo. Ela deixa de olhar para o túmulo e dirige seus olhos para fora, ou seja, deixa de procurar entre os mortos Aquele que está vivo e que possui a vida! Devemos recordar mais uma vez que Maria Madalena representa todos nós em seu encontro com Jesus Ressuscitado. Nossa vida de cristãos deve resplandecer continuamente a luz da Ressurreição. Deixemos de procurar entre os mortos Aquele que está vivo. O que isso significa? Primeiramente, significa que, em Cristo, já somos vitoriosos e participantes de uma vida nova, liberta de tudo aquilo que poderia nos prender a vivermos perdidos ou distantes de Deus. O Cristo Ressuscitado nos dá do seu Espírito, para que nos deixemos conduzir por Ele, que conhece as profundezas de Deus. Já somos livres para uma adesão cada vez mais profunda e total ao Cristo, ao amor e à vida eterna! Deixemos de olhar para dentro do túmulo, ou seja, abandonemos o medo, a negatividade, o desânimo, a falta de esperança, e dirijamos nosso olhar para fora, onde o Ressuscitado nos espera! O Cristo da paz e da alegria.

            O encontro com o Senhor produziu em Maria Madalena alegria e consolação e, além disso, fez dela uma autêntica anunciadora deste encontro, que é possível a todos. Jesus não deixou que Madalena o segurasse apenas para si: “Não me toques [...]. Vai, porém, a meus irmãos” (Cf. Jo 20, 17). Isso demonstra que, a partir da experiência com Ele, Jesus deseja que levemos a todos sua mensagem de vida e salvação. Como cristãos, somos portadores do anúncio pascal: Jesus está vivo entre nós! Esta é nossa alegre missão no mundo, assim como Maria Madalena, que “diante dos Apóstolos foi honrada com a missão do apostolado, para que o alegre anúncio da vida nova chegasse até aos confins da terra” (Prefácio da Festa de S. M. Madalena).

            Motivados pelo exemplo e pela intercessão de Santa Maria Madalena, busquemos sempre o Senhor Ressuscitado em nossas vidas e testemunhemos a alegria deste encontro, para que assim cada vez mais pessoas possam experimentar a libertação e a vida nova oferecida por Cristo Jesus. 

Grégory, seminarista da teologia

Referências:

BORTOLINI, José. Como ler o Evangelho de João: o caminho da vida. 3. ed. São Paulo: Paulus, 1994.

JOÃO PAULO II. Carta Apostólica Mulieris Dignitatem. Sobre a dignidade e a vocação da mulher por ocasião do Ano Mariano. 1988.